Essa cidade me surpreende a cada dia. É aquela velha história “morro e não vejo tudo”. Após o almoço de domingo, voltava para casa acompanhada de meu esposo. De repente avisto uma senhora de aparência triste, encostada em um muro e com algumas sacolas próximas. Pensei:
- Coitada, tão abatida.
Foi quando meu companheiro, um grande observador, me comunicou:
- Ela está cagando (perdão pela palavra, mas é assim que todo mundo fala e não venham com frescurinhas).
Não acreditei, juro, não acreditei. Mas ele insistiu e eu virei para trás para conferir e não é que a calça da senhora estava “arriada”? Parecia que ela estava sentada num banquinho ou qualquer outra coisa, mas não, estava escorada para o serviço. Depois de rir muito, confesso que fiquei com pena da senhora.
Pensei em inúmeros motivos para ela estar fazendo aquilo, algo tão íntimo, ali e o mais sensato foi: ela estava se dirigindo para algum lugar, a pé, cheia de bolsas e apareceu aquela maldita dor de barriga, daquelas que não tem jeito, não se pode segurar. Ninguém em sã consciência emprestaria o banheiro para ela, que estava de passagem por ali, então ela se aliviou do jeito que deu. Mas escolheu um lugar péssimo, devo admitir, na beira da estrada com vários carros passando.
Agora entendo a aparência triste da senhora na primeira vez que a vi.
Escrito por Docinho
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